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sexta-feira, 19 de julho de 2013

O amor não acaba, nós é que mudamos - MARTA MEDEIROS


Um homem e uma mulher vivem uma intensa relação de amor, e depois de alguns anos se separam, cada um vai em busca do próprio caminho, saem do raio de visão um do outro. Que fim levou aquele sentimento? O amor realmente acaba? 

O que acaba são algumas de nossas expectativas e desejos, que são subtituídos por outros no decorrer da vida. As pessoas não mudam na sua essência, mas mudam muito de sonhos, mudam de pontos de vista e de necessidades, principalmente de necessidades. O amor costuma ser amoldado à nossa carência de envolvimento afetivo, porém essa carência não é estática, ela se modifica à medida que vamos tendo novas experiências, à medida que vamos aprendendo com as dores, com os remorsos e com nossos erros todos. O amor se mantém o mesmo apenas para aqueles que se mantém os mesmos. 

sexta-feira, 4 de janeiro de 2013

Estar só - Danuza Leão



Do que mais se precisa na vida para ser feliz? De calor humano, dizem; por calor humano entenda-se, para começar, de alguém com quem se compartilha a vida, uma família bem estruturada e amigos, muitos amigos. Trocando em miúdos: para não correr o risco de ficar só --nunca.
Mas, quanto mais gente em volta, mais problemas. Houve um tempo em que se dizia que os casamentos seriam felizes para sempre; mais tarde, que durariam sete anos. Mas o mundo mudou, a ciência moderna constata que o amor dura no máximo dois anos e, como ninguém suporta ser infeliz por mais de um fim de semana, o divórcio está em alta.
E a família, como vai? Ninguém conta, mas raras são as que se dão bem e, quanto maiores elas são, mais brigas. Por ciúmes, inveja e, sobretudo, por dinheiro. Aliás, dinheiro é o grande responsável por quase tudo; ouso dizer (mas sem muita certeza) que existem mais brigas por dinheiro do que por amor.

sábado, 23 de junho de 2012

Danuza Leão - Quanto vale um amor?


Abandono afetivo; e dá para entender que alguém entre na Justiça reivindicando uma quantia porque não recebeu do pai o afeto que gostaria?

O ideal seria que todos os pais cercassem seus filhos de carinho e de amor; mas isso é o ideal, e o ideal, como todo mundo sabe, não existe. Alguns pais não são nem carinhosos nem amorosos, que pena, mas a vida é assim, e uma filha que nunca teve o afeto paterno tem que entender que alguns não têm afeto para dar, ou apenas não conseguem -e tratar de viver a vida como ela lhe foi apresentada, isto é, como ela é. Pedir uma indenização -em dinheiro- porque não foi amada pelo pai, acho estranho. Quem põe um filho no mundo tem obrigações, mas amor dá quem pode, nem é um problema de querer; e amor não se cobra, nem de pai nem de ninguém.


sexta-feira, 1 de junho de 2012

Detox digital - Marion Strecker




Estou aprendendo a me desligar; estou aprendendo a me religar, usando a tecnologia a meu favor


Estou em tratamento. Sou a paciente e minha própria médica. Tomei consciência de quanto viciada e intoxicada estou de tecnologia.

Demorei a perceber. Achava que sempre era eu quem estava no comando da situação. É assim com qualquer dependência. Achei que sabia tirar o melhor proveito dos eletrônicos, dos sistemas, dos sites, das redes sociais. Mas agora reconheço que não.

Agora reconheço que quem mandava no meu tempo não era eu: era o fluxo dos aparelhos e sistemas eletrônicos que uso. Era qualquer um, menos eu.

domingo, 6 de maio de 2012

Suicídio, modo de usar


Suicídio, modo de usar - BARBARA GANCIA

FOLHA DE SP - 04/05/12


A humilhação constante, do tipo praticado pela internet, tende a transformar o jovem em um indivíduo deprimido


NOSSA MOLECADA está doente. Sabemos que o drama maior é o homicídio, que extermi­na os jovens da periferia em pro­porções epidêmicas, mas agora de­mos também para ver aumentar nossos índices de suicídio.

Nos últimos tempos, até as escolas particulares, que educam nossas crianças mais bem amparadas, fo­ram castigadas pelo drama. Con­tam-se um, dois, três suicídios se­guidos -ou mortes que aparenta­ram ser propositais- nas escolas mais tradicionais da cidade.

De 1980 a 2000, no grupo dos 15 aos 24 anos, o suicídio cresceu im­pressionantes 1900%. E os índices continuam subindo. Por quê?